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Congresso Olímpico Nacional (alternativo)

A Rutura de Pierre de Coubertin com a Educação Física

Do “mens sana in corpore sano” para o “citius, altius, fortius”

Gustavo Pires

1. Apresentação

Os gregos antigos, como sabiam que, na sua ânsia de poder e de glória, os homens tinham necessidade de violência para se sentirem realizados, inventaram os Jogos[1] e, deste modo, sem os custos trágicos da guerra, tornaram a paz gloriosa, através do prazer lúdico da violência controlada. E eles viajavam longas distâncias para consultarem os oráculos e ouvirem as previsões das musas, cassandras e pitonisas, a fim de ultrapassarem as dúvidas e anseios das suas vidas, mas também para participarem nos grandes festivais de destrezas, de lutas, de corridas, de récitas, de música e de dança que eram os Jogos, realizados em honra de Zeus, o rei dos deuses. À época, os Jogos eram o ponto nevrálgico da vida grega, num perfeito compromisso de emoções e de sentimentos entre o homem, a natureza e a sociedade. A música e a dança faziam parte dos rituais de batalha e a deusa da alegria, do prazer e do divertimento, de seu nome Paidia, geria o clamor da diversão que, sob o comando de Ares o deus da guerra, podia ir até ao amargo sabor doce da violência selvagem cantada por Homero. Por outro lado, Apolo, deus do rigor, da ordem e do futuro, assediado pelo êxtase frenético das festas e do prazer de Dionísio deus do vinho, promovia a excelência da “areté”, que os gregos desenvolviam através do exercício da violência controlada no polissémico do conceito de “agôn”, acerca do qual Friedrich Nietzsche (1844-1900), o filósofo da energia vital, da vontade de poder e do super-homem, em 1872, escreveu o texto "A Competição em Homero” e Pierre de Coubertin, em 1892 propôs o regresso a esses valores.

Congresso Olímpico Nacional (alternativo)

Do Festival Olímpico da Juventude Europeia aos Jogos Olímpicos

Levantamento e Análise do Percurso dos Atletas

Rui Moura Esteves

Com o presente ensaio pretendemos estudar o Festival Olímpico da Juventude Europeia (FOJE), inicialmente criado com o nome Jornadas Olímpicas da Juventude Europeia (JOJE), e observar o seu crescimento e evolução desde o início até este momento, tendo como principal foco a participação portuguesa.

 O principal objetivo do presente estudo é apresentar a participação portuguesa em cada Edição do Festival Olímpico da Juventude Europeia e os atletas que, tendo passado pelo FOJE, mais tarde integraram as delegações que marcaram presença nos Jogos Olímpicos, referindo os seus resultados.

 Durante a recolha da informação apresentada neste estudo, ficou clara a dispersão de dados por vários documentos, sendo importante criar um documento que reunisse toda a informação existente sobre os vários eventos.

 Este tipo de sistematização de dados, cruzando os dados de todas as Edições do FOJE com os dados das participações portuguesas nos Jogos Olímpicos, era necessário para se poder criar uma base de dados facilmente consultável, com a possibilidade de fazer alterações em função de novas participações no FOJE e nos Jogos Olímpicos.

Congresso Olímpico Nacional (alternativo)

O fenómeno da participação e inclusão da mulher nos Jogos Olímpicos

um contributo ético para o valor da igualdade

Cláudia Santos

Nos Jogos Olímpicos antigos as mulheres eram proibidas de entrar no estádio para assistirem aos jogos. Essa regra machista era aplicada mesmo às mães e às esposas dos concorrentes mas, surpreendentemente, não às meninas novas. De facto, era permitido às virgens assistirem aos jogos. A punição para toda e qualquer mulher que ousasse quebrar esta regra era ser jogada dos penhascos de Typaion. Contudo, Kallipateira, quebrou essa regra e não foi punida.

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João Marreiros

(re)Pensar o Movimento Olímpico

A verdade dos factos na criação  do Comité Olímpico Português

João Marreiros

Ao efectuar este trabalho de pesquisa sobre a data da fundação do Comité Olímpico Português, foram consultados, textos, revistas, livros, diapositivos e internet dos investigadores, que são mencionados com a devida vénia: Carlos Cardoso, Gustavo Pires, João Marreiros, Monge da Silva, Orlando Azinhais e Sequeira Andrade.

Encontrei na internet um blogue sobre o Remo. Com a devida vénia a Carlos Henriques que, com artigos desconhecidos sobre a história dos desportos náuticos, pretende colocar a sua beleza em destaque através de documentos relativos ao Comité Olímpico Português, nomeadamente à trágica morte do maratonista Francisco Lázaro nos Jogos Olímpicos que se realizaram no ano de 1912, na cidade de Estocolmo, na Suécia.

É evidente, que uma investigação desta natureza nunca está concluída, por isso, para quem nos lê, todos os elementos que nos forneçam será sempre uma mais-valia para que a reposição da verdade seja um passo largo para quem tutela os organismos desportivos, nomeadamente o Comité Olímpico de Portugal.

Com base nos documentos que fazem história, sentimos que é necessário melhorar a investigação, pois o que fizemos foi somente tentar explicar a divulgação da realidade factual, contudo os factos apontam a data de 30 de Abril de 1912 como a da constituição do Comité Olímpico Portuguez.

Desde o ano de 1988 que sou Membro Efectivo da Academia Olímpica de Portugal, que tem como atribuições o estudo, a investigação e a divulgação do Olimpismo nas manifestações olímpicas, quer na Antiguidade, quer na Era Moderna, as suas causas e os seus efeitos nos campos educativo, filosófico, desportivo, social e político.

Congresso Olímpico Nacional (alternativo)

Governação e Financiamento do Desporto de Elite

José Pinto Correia

O modelo de governação e financiamento do desporto de elite português tem apresentado resultados internacionais fracos ao longo de muitos anos, cuja expressão mais categórica tem sido demonstrada nas recentes participações nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008 e de Londres 2012. Estão reconhecidas limitações sérias naquele nosso modelo que importa considerar à luz de resultados de estudos comparativos de outros países. Neste trabalho procura, assim, fazer-se a apresentação dos principais factores que determinam o sucesso ao nível do sistema desportivo de elite em vários países e extrair dessas indicações um conjunto de elementos que permitam induzir as convenientes alterações no modelo de governação e financiamento do desporto de elite português.

Congresso Olímpico Nacional (alternativo)

Entre o Passado e o Futuro

Manuel Sérgio

Entre o Passado e o Futuro é o nome de um livro de Hanna Arendt. Posso até começar com uma frase deste livro:

“O testamento, que indica ao herdeiro aquilo que legitimamente lhe pertence, transmite ao futuro os bens do passado. Sem testamento ou, para aclarar a metáfora, sem a tradição – que escolhe e nomeia, que transmite e preserva, que indica onde se encontram os tesouros e qual o seu valor – é como se não existisse continuidade no tempo e como se, por conseguinte, não houvesse nem passado nem futuro, em termos humanos, mas apenas a perpétua mudança do mundo e o ciclo biológico dos seres vivos” (Relógio d´Água Editores, 2006, p.19).

Costuma dizer-se que a civilização ocidental assenta sobre quatro pilares:

  1. a filosofia grega;
  2. o espírito jurídico latino;
  3. a religião judaico-cristã e o espírito crítico que nasce com o Renascimento.

Mas... o que distingue o nosso tempo?

Congresso Olímpico Nacional (alternativo) Apresentação

No Espírito de Pierre de Coubertin

 Um congresso, por definição, é uma reunião de pessoas pertencentes a uma determinada área de estudo ou profissão que se realiza com o objetivo de se apresentarem trabalhos, trocarem ideias, confrontarem projetos e para, deste modo, preparar, de uma forma livre e aberta, a organização do futuro. A última coisa que um congresso pode ser é uma reunião fechada, sepulcral, em que um conjunto reduzido de pessoas, de uma forma pouco menos que secreta, procura criar as condições para melhor exercerem um poder com reduzida legitimidade social. Um congresso deste tipo não passa de uma “reunião de claque”, sem o mínimo interesse de ordem social para o desenvolvimento e o progresso seja de que atividade for.

Reflexões Olímpicas

Os Jogos da Lusofonia na Índia

José Pinto Correia

De facto pode fazer-se parte da direcção de um movimento com fundamentos filosóficos que enaltecem a condição humana na sua vontade, audácia e ambição sem que se dêem os passos certos que praticam esses mesmos fundamentos. O nosso dirigismo no Movimento Olímpico tem-se comportado exactamente desse modo ao longo de muitos anos, sem competência, sem rigor no respeito aos princípios, com vacuidade de propósitos e ausência quase completa de resultados desportivos.

Fechou-se o ano passado entre nós um ciclo medíocre de direcção do Movimento Olímpico e imaginava-se um novo fôlego, com uma nova governação, melhor condução estratégica, clara definição de prioridades e fixação de objectivos desportivos. Passado esse ano completamente, tudo parece voltar a colocar-se ao mesmo nível de incapacidade e de desacerto do passado. O caso exemplar desta inadequação da liderança do Movimento Olímpico é o que se está a passar com os “Jogos da Lusofonia” a decorrerem na Índia, ou mais especificamente em Goa.

Mil Novecentos e Oitenta e Sete

Cavaco Silva

Anda uma certa comunicação social a tentar branquear o que se passou em 1987, quando a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, com 129 votos, um apelo para a libertação incondicional de Nelson Mandela. Os únicos três países que votaram contra foram os Estados Unidos da América, de Reagan, a Grã-Bretanha, de Thatcher, e o governo português de Cavaco Silva.

O argumento é o de que numa outra resolução posterior o Governo Português votou pela libertação de Nelson Mandela.

Mas porque é que Portugal não se absteve como outros países europeus?

Não se absteve simplesmente para fazer um frete aos EUA e à Inglaterra.

A desculpa cavaquista de que o fez para proteger os cerca de 600 mil portugueses que viviam na África do Sul, para além de ser de mau pagador, revela uma inversão absoluta daquilo que, ao tempo, se passava naquele país. O que aconteceu foi que com a sua posição o Governo Português pôs muito mais em risco os portugueses que viviam na África do Sul do que, simplesmente se se tivesse abstido.

Porque, ao contrário daquilo que se quer fazer passar, a luta armada era feita pelo governo sul-africano contra os cidadãos negros que, simplesmente, reivindicavam os seus direitos de cidadania no seu próprio País.

Não existem explicações plausíveis. E aqueles que não o compreendem deviam ler a estória exemplar do jovem artilheiro de Victor Hugo descrita no "Quatrevingt-Treize". E, agora, a ida de Cavaco Silva ao funeral de um homem que, para todos os efeitos, ele pretendeu manter na cadeia para, depois, o tentar libertar, representa a condenação à morte do jovem artilheiro do "Quatrevingt-Treize" um dos mais brilhantes romances da história da literatura.

GP, 2013-12-07

Nelson Mandela (1918-2013)

A Verdade é a Verdade…

Intervenção do Deputado António Filipe, em 18 de Julho de 2008, na Assembleia da República:

“(…) quando, em 1987, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, com 129 votos, um apelo para a libertação incondicional de Nelson Mandela, os três países que votaram contra foram os Estados Unidos da América, de Reagan, a Grã-Bretanha, de Thatcher, e o governo português, da altura.”

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