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A Competição em Pierre de Coubertin

coubertin2.jpgCitius * Altius * Fortius

Gustavo Pires

O presente ensaio tem por objetivo especular acerca da perspetiva competitiva de Pierre de Coubertin (1863-1937) que, em finais do século XIX, o levou a estabelecer um corte com os modelos gímnicos, ao tempo preponderantes, a fim de desencadear o desenvolvimento de um novo paradigma, o desportivo,[i] centrado nos valores da competição justa, nobre e leal, da tradição da Grécia antiga.

Os gregos antigos, como sabiam que, na sua ânsia de poder e de glória, os homens tinham necessidade de violência para se sentirem realizados, inventaram os Jogos e, deste modo, sem os custos trágicos da guerra, tornaram a paz gloriosa, através do prazer lúdico da violência controlada. E eles viajavam longas distâncias para consultarem os oráculos e ouvirem as previsões das musas, cassandras e pitonisas, a fim de ultrapassarem as dúvidas e anseios das suas vidas, mas também para participarem nos grandes festivais de destrezas, de lutas, de corridas, de récitas, de música e de dança que eram os Jogos, realizados em honra de Zeus, o rei dos deuses. À época, os Jogos eram o ponto nevrálgico da vida grega, num perfeito compromisso de emoções e de sentimentos entre o homem, a natureza e a sociedade. Se os exercícios e as competições preparavam o corpo para a luta guerreira, a música e a dança faziam parte dos rituais de batalha, e a deusa da alegria, do prazer e do divertimento, de seu nome Paidia, geria o clamor da diversão que, sob o comando de Ares, deus da guerra, podia ir até ao amargo sabor doce da violência selvagem cantada por Homero.

FITescola

A Força pela Saúde - O Corpo ao Serviço da Pátria

Gustavo Pires

 

… ao estudar a sciencia da educação physica temos de assenta-la n’um conhecimento exacto  dos principios geraes  e fundamentaes da anatomo-physiologia,  donde decorre já uma pedagogia; mas temos a coroa-la também os dados de uma sciencia sobrenatural que a completa, afina e justifica.

                                                                                                                                          Weiss de Oliveira, 1929

***

No editorial “Uma Oportunidade Única” da Revista Olimpo nº 142 referente aos meses de Abril / Junho de 2015 assinado pelo presidente do Comité Olímpico de Portugal José Constantino pode ler-se:

...a aplicação às escolas a partir do próximo ano letivo da plataforma interativa FITescola permitindo para além de uma avaliação quantitativa de atributos físicos para desempenho desportivo, a avaliação qualitativa das habilidades motoras e das capacidades funcionais por parte dos professores de Educação Física é uma oportunidade de rastrear o potencial dos jovens em idade escolar e proceder a um aconselhamento mais influente.

O Desporto Entre a Guerra e a Paz

Jogos Interaliados

Os Jogos Interaliados, Paris, 1919

Francisco J. V. Fernandes

Algumas semanas antes do Armistício (Outubro de 1918) Elwood S. Brown, Diretor do Departamento de Athletic Sports do YMCA americano, com base numa bem-sucedida experiência ocorrida anos antes na Filipinas, então envolvendo americanos, filipinos, chineses e japoneses, lança a ideia da realização de uma prova desportiva de massas aberta aos militares dos exércitos Aliados.

Com a ideia a ser adotada pelo próprio General Pershing, Comandante do Exército Aliado na Europa, o convite é dirigido a 29 países, sendo aceite por 18:Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, China, Cuba, Checo-Eslováquia, França, Grã-Bretanha, Grécia, Guatemala, Haiti, Hejaz, Honduras, Itália, Japão, Libéria, Montenegro, Nicarágua, Terra Nova,  Nova Zelândia, Panamá, Polónia, Portugal, Roménia, Rússia, Sérvia, Sião e África do Sul.

Berlioux, Monique

Monique Berlioux (1923-2015)

a

Dama de Ferro

                        Gustavo Pires, Sandra Gomes, João David Duarte

 

“O desporto ensina-nos a lutar, depois é necessário esperar um pouco mais para ganharmos”

Monique Berlioux

Poucas mulheres se destacaram no exercício do poder. São reduzidos os exemplos que podem ser apresentados:

Educação & Desporto

Pinto CorreiaA Educação e o Desporto e a Educação pelo Desporto

José Pinto Correia (*)

As sociedades modernas nos países mais desenvolvidos da Europa, da América do Norte e mais recentemente da Ásia são principalmente baseadas no conhecimento, quer de carácter científico e tecnológico quer artístico e literário, sendo as pessoas, com as suas capacidades e competências diversificadas e criadoras, determinantes nos níveis de progresso contínuo material e imaterial.

A escola, desde os primeiros níveis até ao ensino universitário, continua a ser a instituição fundamental para a transmissão dos conhecimentos historicamente adquiridos, bem como para a criação das aptidões de criatividade, ousadia, visão do futuro, resolução de problemas complexos, espírito crítico e vontade de ruptura, que os jovens adultos detêm e que pelas suas iniciativas transferem ao longo das suas vidas para a sua sociedade.

Desporto na Escola e na Comunidade

As ‘guidelines’ da UNESCO em parceria com o COI

Francisco J. V. Fernandes (*)

A UNESCO, associada a um conjunto de organizações internacionais, entre as quais o Comité Olímpico Internacional, acaba de publicar as orientações para os decisores políticos em matéria de educação física e desporto nas escolas[1], na sua qualidade de Agência das Nações Unidas encarregue de promover, de forma concertada e colaborativa, uma ação participativa destinada a garantir o desenvolvimento integral de cada indivíduo.

Para Irina Bokova, Diretora-Geral da UNESCO, a visão da organização é clara: o desporto e a educação física são essenciais para a juventude, para a vida saudável, para a construção de uma sociedade resiliente, para o combate à violência, mas esse objetivo não se atinge espontaneamente – exige a ação dos governos e o suporte da comunidade, num movimento concertado cujos princípios decorrem da aceitação e promoção dos valores do Movimento Desportivo tais como preconizados pela Carta Olímpica quanto a crenças e princípios centrados no fair-play, respeito, honestidade, amizade e busca da excelência, sendo responsabilidade das organizações desportivas [e da escola] defender e proteger tais valores (Olympic Charter, 2013).

A Competição em Pierre de Coubertin

Citius, Altius, Fortius

Gustavo Pires

O presente ensaio tem por objetivo especular acerca da perspetiva competitiva de Pierre de Coubertin (1863-1937) que, em finais do século XIX, o levou a estabelecer um corte com os modelos gímnicos, ao tempo preponderantes, a fim de desencadear o desenvolvimento de um novo paradigma, o desportivo,[1] centrado nos valores da competição justa, nobre e leal, da tradição da Grécia antiga.

Ética do Desporto

O Pensamento Ético Contemporâneo

e o Desporto

Manuel Sérgio (*)

Segundo Anthony Giddens, no seu livro As Consequências da Modernidade, o que caracteriza o nosso tempo é a sua descontinuidade, em relação às épocas anteriores. As transformações na tecnociência, na filosofia, nos modos de vida, nas mentalidades; a globalização do economicismo neo-liberal, bem expressa numa alta competição sem freios; o ciberespaço, como novo espaço do saber; confundir felicidade com a posse exclusiva de bens materiais: não deixam a este respeito um rasto de dúvida. No entanto, segundo Rawls, uma das “experiências fundamentais” da modernidade é a existência do fact of pluralism, ou seja, a existência de uma incomensurável pluralidade de valores, que reduz a cinzas qualquer unicidade normativa. Por isso, Habermas faz resultar a moral das condições e pressupostos da deliberação democrática, como se nela ressaltassem, límpidas, a dimensão moral, a ética e a pragmática, quero eu dizer: a complementaridade entre o direito e a moral.

He Zhenliang (1929-2015)

Membro do COI

Faleceu He Zhenliang um dos dirigentes desportivos que mais contribuiu para a unidade do Movimento Olímpico Internacional.

Ele foi eleito como membro do COI em 1981, servindo no cargo até 2010, data a partir da qual passou a ser membro honorário do COI. Pertenceu ao  Conselho Executivo do COI por três vezes (1985-1989, 1994-1998 e 1999-2003). Exerceu as funções de vice-presidente do COI de 1989 a 1993.

Foi membro das seguintes Comissões:

  • Olympic Solidarity (1981-1987)
  • Olympic Movement (1985-1999)
  • Apartheid and Olympism (1989-1992)
  • Council of the Olympic Order (1989-1993)
  • Preparation of the XII Olympic Congress (1990-1993)
  • Study of the Centennial Olympic Congress – Congress of Unity (1994-1996)
  • “IOC 2000” (1999)
  • “IOC 2000” Reform Follow-up (2002)
  • 2009 Congress (2006-2009)

He Zhenliang faz não só parte da história do Movimento Olímpico na República Popular da China como da história do Movimento Olímpico Internacional. Da Revista Portuguesa de Ciências do Desporto (2009), 2, 73-153, respigamos a prosa que se segue da autoria de Pires, Gustavo com o título" O Olimpismo Hoje: De uma Diplomacia do Silêncio para uma Diplomacia Silenciosa: O Caso das Duas Chinas".

A Rutura de Pierre de Coubertin com a Educação Física

Prefácio

Carlos Colaço

Ao prefaciar este livro de Gustavo Pires começo com uma questão: - É o livro que faz o destinatário ou é o destinatário que faz o livro?

Muito provavelmente, acontecem, em simultâneo, as duas situações. Se, por um lado, o livro com a sua mensagem vai ao encontro do destinatário provocando-lhe curiosidade e interesse, por outro lado, o livro nasce porque existe um destinatário pronto para consumi-lo, quer dizer, interessado na problemática tratada no livro. É nesta dupla abordagem que entendo o livro que agora prefacio. É escrito para aqueles que se interessam pelo tema da génese do Movimento Olímpico internacional mas também é escrito para aqueles que, potencialmente, se poderão vir a interessar.

Sobre o autor direi que o livro, para abreviar o título, “A Rutura de Pierre de Coubertin com a Educação Física”, é escrito por alguém que, em Portugal, mais tem dedicado o seu tempo a estudar e a tentar perceber não só a “mítica” personalidade de Pierre de Coubertin como, no quadro do desenvolvimento e da gestão do desporto, a dinâmica do Movimento Olímpico moderno, tanto em termos nacionais como internacionais. Ao fazê-lo, Gustavo Pires, aliás como é timbre nos seus escritos, procura atingir um público mais vasto do que aquele que, enquanto docente, encontra na sala de aula, na perspetiva de colocar o trabalho ao alcance do interesse de um auditório bem mais vasto eventualmente interessado nas questões relativas aos primórdios do Movimento Olímpico que, ainda hoje, influenciam a maneira como as generalidade das pessoas olha para o desporto.

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