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Desporto &
Desenvolvimento humano

Juan Antonio Samaranch (1920-2010)

Samaranch morreu, viva Samaranch…

Acabou de falecer a 21 de Abril de 2010 o homem que catapultou o Movimento Olímpico na senda do futuro. Contudo, Samaranch foi um homem acerca do qual, hoje, não é fácil falar, porque, se só referimos os aspectos negativos da sua vida de dirigente desportivo franquista não estamos a ser justos, mas se, pelo contrário, optarmos por uma série de elogios laudatórios, passamos por ser ingénuos.

Consideramos que Antonio Samaranch, a par de Horst Dassler (1936-1987) filho de Adi Dessler fundador da marca Adidas, Primo Nebiolo (1923-1999) presidente da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF) e João Havelange (n. 916) sétimo presidente da FIFA de 1974 a 1998, para o bem e para o mal, foi um dos quarto pilares do desporto moderno no último quartel do século XX.

Eleito para presidência do Comité Olímpico Internacional (COI) em 1980, foi capaz de conduzir o Movimento Olímpico à projecção universal que hoje tem, aparentemente com a maior das facilidades. Acabou por sair passados 21 anos em 2001, desgastado pelos escândalos de corrupção que envolveram o COI a partir de 1998, quando o suíço Marc Hodler (1918-2006), membro vitalício do COI desde 1963 (!), candidato à presidência do COI mas derrotado por Antonio Samaranch (a vingança serve-se fria), resolveu dizer que: “de cinco a sete por cento dos membros do COI eram compráveis”.

O grupo dos quatro, associados a Patrick Nally co-fundador da “West Nally Marketing” pioneira no marketing internacional, engendraram aquilo que o repórter inglês Andrew Jennings, um dos críticos mais ferozes do Movimento Olímpico, designou por “o clube” que, com o dinheiro da Coca-cola, catapultou um desporto diletante, medíocre, de valor pedagógico duvidoso e socialmente incapaz, para a era do económico. É evidente que não há bela sem senão…

Em conformidade, a mercantilização do Movimento Olímpico e a liquidação do estatuto de amador são, certamente, do ponto de vista ideológico, as duas marcas mais significativas do consulado de Samaranch. Sim, ele governou o Movimento Olímpico tal como um imperador.

Como referiu Bill Gates, as coisas transformam-se radicalmente quando se lhes muda as fontes de financiamento. Em conformidade, com Samaranch o desporto mudou radicalmente. Nem sempre no bom sentido, nem sempre pelas melhores razões, contudo, em termos gerais, mudou para melhor. E quando hoje comparamos o que se passa pelo mundo e vemos os “enrons”, os “subprimes” e os “lehmanbrothers”, então temos de concluir que Samaranch mudou o desporto para muito melhor do que a própria sociedade aonde ele teve de se desenvolver.

Samaranch morreu, viva Samaranch…