Logo FORUM OLIMPICO DE PORTUGAL
Desporto &
Desenvolvimento humano

Invictus

Desporto & Política

Aqueles que insistem em afirmar que o desporto nada tem a ver com a política aí está o livro de John Carlin intitulado na tradução portuguesa "Invictus" da “Editorial Presença” . O filme baseado na obra já está em várias salas de cinema do país.
.
O título da versão inglesa é Playing the Enemy – “Nelson Mandela and the Game that Made a Nation”.
.
Na realidade, dizer que o desporto nada tem a ver com a política, perspectiva cunhada por Avery Brundage (1887-1975), que exerceu a liderança do Comité Olímpico Internacional (COI) de 1952 a 1972, provocou ao longo dos últimos sessenta anos não só enormes prejuízos ao desporto como à própria política naquilo a que esta tem de mais nobre.
.
Recomendamos a leitura do livro em questão não só pela compreensão daquilo que o desporto pode desempenhar na construção da identidade nacional, como pelo extraordinário exemplo de Nelson Mandela um dos grandes líderes mundiais de todos os tempos.

Do livro em questão respigamos o seguinte:

."Os políticos são peritos em explorar a esperança que as pessoas têm de que o Paraíso na Terra seja possível. Mas, como não é, a vida das nações - tal como a de cada um de nós - é uma luta eterna por sonhos. No caso de Mandela, o sonho que o acompanhara durante os vinte e sete anos que passou na prisão foi o mesmo que incendiara o espírito de Martin Luther King Junior: o de que, um dia, as pessoas do seu país deixariam de ser julgadas pela cor da pele e passariam a ser julgadas pelos seus actos.” (p.15).
.
“O desporto é um poderoso mobilizador das emoções das massas e um dos cadinhos onde melhor se moldam as percepções políticas.” (p.17)
.
“O desporto tem o poder de mudar o mundo. Tem o poder de inspirar e de unir as pessoas que pouco ou nada têm... e derruba barreiras raciais até com maior facilidade que os governos mais poderosos.” Frase proferida por Nelson Mandela aquando da atribuição de um prémio a Pelé. (p.18)
.
“Mandela explicou-me como se lembrara do poder político do desporto, estando ainda na prisão, e como transformara o Campeonato do Mundo de Râguebi de 1995 num instrumento importante para a concretização do objectivo estratégico que traçara durante os cinco anos em que foi o primeiro presidente democraticamente eleito na África do Sul, o qual consistia em reconciliar brancos e negros e, simultaneamente, em criar condições para uma paz duradoura num país que apenas cinco anos antes, quando ele saíra da prisão, reunia todas as condições para uma guerra civil. Nessa ocasião falou-me, abafando por vezes o riso, dos problemas que tivera em convencer a sua própria gente a apoiar a selecção de râguebi. Também falou afectuosamente de François Pienaar, o loiro enorme, filho do apartheid, que fora o capitão da selecção nacional os Springboks.” (p.18).

(a continuar)