
A Questão da Fundação do COP
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“Le Comité Olympic International, dû à votre obligeance, tiendrait à m’elire représentant de mon pays ou sein de votre honorable compagnie. Touché de votre bienveillance je m’expresse de porter à votre connaissance que j’accèpte votre indication avec le plus grand plaisir, soucieux de’apporter mon concours à votre œuvre. ... ” (ver)
Primeiras contestações
Entretanto, o jornal “A Bola” (3/4/94) imprimia em parangonas: “COP Festeja Aniversário em Data Errada” indo buscar a notícias do “Sport Illustrados” de 4/ de Maio de 1912 e Carlos Cardoso presidente da Confederação do Desporto de Portugal, num trabalho publicado na “A Bola” (13/6/03), afirmou que a data em que o COP comemora o seu aniversário além de estar errada não era verdadeira na medida em que a SPEFN de facto, foi fundada a 27 de Novembro de 1909.
No semanário “Norte Desportivo” referimos na edição de 10 de Junho que se estavam a passar 100 anos sobre a fundação do Olimpismo em Portugal, mas que passaram completamente despercebidos não só à generalidade da comunicação social como, o que é inaceitável, ao próprio COP.
Recentemente o jornal “A Bola” (19/9/06) voltou ao tema através de Carlos Cardoso e de alguma maneira começou a aderir à tese da importância que deve ser dada à data de 9 de Junho de 1906.
Porque é que não se muda?
Pergunta-se então porque é que o COP não adopta a data de 30 de Abril de 1912 como a da sua fundação?
Segundo dizem, para não perder o seu lugar de ordem na lista de membros aderentes ao Comité Olímpico Internacional.
Há necessidade de insistir numa falsidade?
Quanto a nós, a resposta só pode ser negativa, na medida em que o que é facto é que Portugal entrou no clube Olímpico pela acção do Rei D. Carlos em 9 de Junho de 1906.
E entrou não porque D. Carlos fosse o Rei de Portugal mas porque era, de facto, um desportista e um amante da causa desportiva.
Era D. Carlos I um homem do desporto?
“Varios tem sido os aspectos, sob os quaes tem sido biografado S. M. El-Rei, como soberano, homem de sciencia, artista, yacthman. Como esgrimista cabe-nos a subida honra de o fazer e, francamente confessamos, desejaríamos dispor de grandes recursos d’inteligência para que podessemos biographar, como merece, o supremo Chefe da Nação Portugueza. (…) Sua Magestade El-Rei cultiva desde os sete annos a esgrima, tendo sido seus professores, primeiro o celebre professor francez Henri Petit, seguindo-se-lhe Luiz Monteiro e António Martins. Tem sido com este último professor, com quem durante maior lapso de tempo tem trabalhado S. M, e o mestre não se cansa de tecer elogios ás excellentes qualidades que S. M. possue como esgrimista. (…) Anima com a sua presença todas as festas de esgrima, e com a sua palavra incita todos quanto procuram radicar no espírito do nosso povo a prática da esgrima. E, tem sido com o appoio sempre constante de sua Majestade El-Rei, que António Martins, nunca desfalleceu no caminho que encetou, procurando desenvolver o gosto pela esgrima em Portugal. O Centro Nacional de Esgrima, também encontrou sempre sua majestade prompto em auxiliá-lo, e muitíssimo lhe deve essa agremiação, não só pela subida honra da sua presença á festa d’inauguração, e de ser seu sócio protector, como pela rápida solução de varias difficuldades na sua instalação.”
Na realidade, D. Carlos foi um reconhecido praticante e dirigente desportivo, empenhado na causa do desporto, pelo que, bastas vezes, emprestou a sua figura de monarca a diversas organizações e eventos desportivos. Por exemplo, foi Presidente Honorário de várias agremiações entre as quais a União dos Atiradores Civis Portugueses fundada em 16 de Novembro de 1893 e a União Velocipédica Portuguesa fundada a 14 de Dezembro de 1899.
Como escreviam os jornais da época ele foi “o primeiro sportsman portuguez”.
Uma questão de verdade e de justiça
Estamos convencidos que só o trágico e estúpido regicídio, bem como a implantação da República em 1910, fizeram com que ao acto conjunto de D. Carlos e Pierre de Coubertin que culminou na carta de aceitação de António Lancastre, não tenha sido dado o devido significado. Entretanto, com o passar dos anos o comodismo instalou-se e o discurso politicamente correcto passou a fazer cátedra pelo que a sociedade desportiva se tem permitido com relativa paz de espírito conviver não só com uma tremenda mentira histórica bem como com uma profunda injustiça.
GP, 7/10/06.
