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Competitividade


Para uma Cultura de Competição.


 


Gustavo Pires

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De acordo com o Índice de Competitividade Global 2006-2007 (Growth Competitiveness Índex) a Suíça é considerada o país mais competitivo. Entre os 125 países, a Finlândia ficou em 2º lugar, a Suécia em 3º lugar e a Dinamarca em 4º lugar. Portugal, ocupa o 34º lugar, atrás da Irlanda, da Estónia, da República Checa e da Eslovénia.


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A competitividade é uma questão crucial para o desenvolvimento do país. Não há dia em que um ou outro membro do Governo não se refira a tal circunstância.



  • Vale a pena o Governo andar a falar de competitividade sem que no país exista uma cultura de competição?


  • É possível existir uma cultura de competição sem que exista uma educação competitiva?


  • Pode-se promover uma educação competitiva sem que exista uma verdadeira educação desportiva?

Mas afinal o que é a competição? Como é que se deve organizar nas sociedades modernas?


O desporto que hoje nos é dado viver, tem a sua origem no início da história da humanidade. Na competição da luta, enquanto fio condutor da explicação ontológica. Repare-se que as mais diversas modalidades desportivas, são fósseis culturais, vestígios dos rituais mágicos e religiosos, das festas, das danças e cantares, do hedonismo da luta e da competição, da arte da guerra e da vitória pela preservação da espécie. É uma visão darwinista? Liberal? Claro que é. A competição está inscrita no nosso código genético. Só adquirimos o direito de viver porque, no primeiro momento da nossa vida, superámos as dificuldades e conseguimos sobreviver. A competição é genética e, por isso, é total.


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Mas atenção, como explicou Norbert Elias, o desenvolvimento civilizacional é uma luta constante para controlar a violência que está dentro de cada ser humano. Não para a eliminar, porque eliminando-a, podemos estar a desligarmo-nos do poder profundo que sustenta a vida criadora. Mas para a controlarmos no sentido mais positivo da vida.

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Assim, a violência que se expressa na competição que é a vida, tem de ser controlada. Tem de ultrapassar a violência pré homérica descrita na Ilíada, quando Aquiles louco de vingança com o seu carro de guerra, arrastou o corpo já morto de Heitor à volta da cidade, depois de o ter derrotado em combate.

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A competição que está dentro de cada ser humano tem de ser educada e controlada, através de um quadro cultural onde os “memes” que caracterizam a cultura dominante, também lutam pela sua afirmação social. Heraclito nos seus fragmentos, deixou-nos o “princípio do ostracismo” quando limitou o padrão da própria competição. Na realidade, por contraditório que possa parecer, a competição para ser desenvolvida ao mais alto nível, tem de ser controlada. E aqueles que não se quiserem sujeitar a esta regra que cruza o combate mortal entre os genes e os "memes", devem ser ostracizados. Em nome e em defesa da própria competição à escala máxima.
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Porque, na ânsia de luta, de violência, de competição, de medida, de recorde e de espectáculo, na busca da superação e da excelência, o campeonato da vida está transformado num jogo de soma igual a zero, quer dizer, para que uns possam vencer há outros que têm de morrer. E, deste modo, ao contrário do que se possa pensar, não é a competição que ganha, é a competição que perde, porque, progressivamente, serão cada vez mais aqueles que vão sendo afastados da competição, até que a competição acaba por morrer. É a vitória dos fracos e dos cobardes, quer dizer, daqueles que olimpicamente abominam a competição.

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Não temos uma cultura de competição. Entre uma Educação Física medíocre e um Desporto Escolar há muito feito cadáver, as políticas públicas não promovem uma cultura de competição, nobre, leal e solidária, em busca da excelência, de que o país necessita para vencer os desafios do futuro. De facto, a par de alguns resultados na competição internacional que só confirmam a regra, apresentamos as mais baixas taxas de participação desportiva da Europa. E não nos quer parecer que seja com programas do tipo “Mexa-se” no domínio da “promoção da saúde” que vamos lá. Se no início do século passado não resolveram os problemas da tuberculose como se pretendia, também agora não vão resolver os dramáticos problemas da obesidade, como se pretende. Podem servir para alimentar as estatísticas fundamentadoras da racionalidade de alguns trabalhos de investigação científica para apresentar noutros tantos congressos médicos, contudo, não servem para resolver os verdadeiros problemas do país que, para além da racionalidade, se situam muito mais no domínio do “sensus communis”.
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E assim, o futuro do país começa a estar comprometido. 

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Story | by Dr. Radut