Apresentação
A luta contra o esquecimento
Atribui-se à memória um atributo magnífico que é a capacidade de lembrar. Por isso, a luta da memória contra o esquecimento deve ser um acto voluntário e assumido, por vezes de uma forma dolorosa mas imprescindível no que diz respeito à necessária construção do futuro. Contudo, a memória histórica é bem diferente da simples repetição do passado. De facto, a memória histórica é um tempo de reflexão produtor de novas perspectivas e conhecimentos, porque, quando o que se passa parece igual ao que já se passou, na verdade, trata-se de uma traição não só ao que outrora já foi, à realidade do presente, bem como também à própria construção do futuro.
Vivemos um tempo complexo, de grande precariedade, associado a uma enorme aceleração que imprimimos à vida. E de tal maneira, que as pessoas deixaram de se interessar para onde estão a ser conduzidas, na medida em que a única coisa que as preocupa é saber a que velocidade lá vão chegar. Não lhes interessa aonde, nem porquê! Querem chegar, o mais depressa possível, muito embora, acabem, na grande maioria das vezes, por não chegar a lado nenhum. Em conformidade, esquecem o passado, não percebem o presente e ignoram completamente da noção de futuro. O que fica por saber é se se esquecem porque vão muito depressa ou se vão muito depressa precisamente para se esquecerem.
O urgente e o importante
O desporto tem, também, sido vítima deste tempo precário que corre a velocidade alucinante, e da incapacidade dos seus actores perceberem a dinâmica do passado, do presente e do futuro e, em conformidade, a dialéctica entre aquilo que é importância e aquilo que é urgente. Quer dizer, se por um lado não chega esperar que as coisas aconteçam, por outro, não vale a pena andar depressa demais. Há que destrinçar aquilo que sendo importante não é urgente, daquilo que sendo urgente não é importante. Sobretudo numa sociedade alienada pela urgencia e que começa a deixar de perceber o que é imprtante.
Na realidade, a urgência têm-se sobreposto à importância. Não tem havido capacidade para criar o tempo e o espaço necessários no que diz respeito à organização do futuro, isto é, não têm havido capacidade para separar aquilo que é importante daquilo que é simplesmente urgente. A velocidade imprimida pela civilização pós industrial à sociedade actual, está a fazer com que as pessoas se esqueçam que tal como existe um elo entre a lentidão e a memória, existe outro entre a velocidade e o esquecimento. Assim, o grau de lentidão é directamente proporcional à intensidade da memória, da mesma maneira o grau de velocidade é directamente proporcional à intensidade do esquecimento. O que fica por saber como pergunta Kundera é se as pessoas se esquecem porque vão depressa demais, ou se vão depressa demais porque se querem esquecer.
Na realidade, a urgência têm-se sobreposto à importância. Não tem havido capacidade para criar o tempo e o espaço necessários no que diz respeito à organização do futuro, isto é, não têm havido capacidade para separar aquilo que é importante daquilo que é simplesmente urgente. A velocidade imprimida pela civilização pós industrial à sociedade actual, está a fazer com que as pessoas se esqueçam que tal como existe um elo entre a lentidão e a memória, existe outro entre a velocidade e o esquecimento. Assim, o grau de lentidão é directamente proporcional à intensidade da memória, da mesma maneira o grau de velocidade é directamente proporcional à intensidade do esquecimento. O que fica por saber como pergunta Kundera é se as pessoas se esquecem porque vão depressa demais, ou se vão depressa demais porque se querem esquecer.
O que é o tempo?
Santo Agostinho diz-nos que “o tempo que se vive, é vida que se corta e cada dia que passa, é menos vida que nos fica.” Portanto, não havendo tempo a perder, é necessário saber dar tempo ao tempo e geri-lo com a parcimónia necessária, de maneira a que o tempo que nos é dado gerir não seja tido como tempo simplesmente perdido para nós e para os outros.
De uma maneira geral as organizações desportivas públicas e privadas, estão a ser consumidas pelo imediatismo e o curto prazo e esquecem o tempo longo. No entanto, o curto prazo não fica, escapa à memória, não aspira a ser lembrado. E, quando não se deseja ser-se lembrado, é porque o presente não interessa e o futuro já pouco importa.
Vale a pena recordar, mais uma vez, as palavras de Santo Agostinho: “O mundo não foi criado no tempo, mas com o tempo pois, o que se faz no tempo, faz-se depois de certo tempo.”
De uma maneira geral as organizações desportivas públicas e privadas, estão a ser consumidas pelo imediatismo e o curto prazo e esquecem o tempo longo. No entanto, o curto prazo não fica, escapa à memória, não aspira a ser lembrado. E, quando não se deseja ser-se lembrado, é porque o presente não interessa e o futuro já pouco importa.
Vale a pena recordar, mais uma vez, as palavras de Santo Agostinho: “O mundo não foi criado no tempo, mas com o tempo pois, o que se faz no tempo, faz-se depois de certo tempo.”
Para quê tanta pressa?
É necessário organizar o tempo com um grau de lentidão, que potencie a memória colectiva, para que o tempo não seja um simples desenrolar de acontecimentos aleatórios e aparentemente urgentes, controlados por planos de contingência e de adaptação de pouca importância, para passar a ser uma estrutura rica de acontecimentos importantes, certos e organizados através de planeamentos de compromisso, geradores de desenvolvimento sustentável, quer dizer, que não comprometa a vida desportiva das gerações futuras e ponha o país a funcionar com “esperança presente nas coisas futuras”.
Memória para o futuro
Este é um dos grandes objectivos do Fórum Olímpico de Portugal. Recordar a memória do desporto nacional com o objectivo de construirmos um futuro melhor. Para o efeito, aqui vamos construir um espaço de comunicação aberto às mais variadas participações que através de um levantamento da nossa memória desportiva colectiva contribua para esclarecer o passado, organizar o presente e idealizar um futuro melhor.
GP
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