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Agôn - Homo Sportivus: Estratégias & Estratagemas

Pequena Introdução a um Grande Livro

Manuel Sérgio

Para poder definir-se os limites do pensamento, impõe-se uma análise crítica da linguagem. Assim o pensava Wittgenstein, alardeando a firme convicção de que a linguagem e o pensamento são dois aspetos da mesma realidade. No Tractatus, o dizível tem interesse, pois corresponde ao que se pode saber e verificar. Demais, para este filósofo, a filosofia é uma atividade (não é uma doutrina) que consiste na análise e no esclarecimento das proposições respeitantes ao sentido, devendo este ser verdadeiro, na sua forma lógica e verificável, através da experiência. Nesta perspetiva, as ciências da natureza respondem perfeitamente ao que o Tractatus elabora e representam um modelo privilegiado para qualquer afirmação gnosiológica. Seguindo a tradução de M.S. Lourenço da proposição 6,53 do Tractatus: “O método correto da Filosofia seria o seguinte – só dizer o que pode ser dito, isto é, as proposições das ciências naturais”. Fica então nítido que, na filosofia do primeiro Wittgenstein, a reflexão há-de corporizar-se num sistema de símbolos, em ordem rigorosa e conclusiva, esgotando-se na e pela linguagem. Para construir proposições lúcidas e lógicas, necessário se torna trabalhá-las com processos simbólicos, unidos e articulados e relacionados, de acordo com as regras da lógica. E assim o pensamento faz-se lógica e esta se traduz por símbolos linguísticos. Mas as afirmações lógicas pouco valem, enquanto a sua verdade não for confirmada (ou infirmada) pela experiência. E, porque triunfa o modelo das ciências da natureza, as afirmações da filosofia não passam de pseudoproposições não criticáveis, não demonstráveis, não significativas, não sensatas. A metafísica, por exemplo, é inexprimível, porque se trata de uma série de enunciados linguisticamente erróneos. Se me fixar, no primeiro Wittgenstein, a minha presença, neste quase prefácio, torna-se demasiado insignificante, para um livro notável que é, sem favor, uma preciosa contribuição ao desenvolvimento do desporto nacional.                         

Democracia, Olimpismo e Liberdade de Expressão

António Fonseca e Costa

(...) Nos últimos cerca de quarenta e três anos, como bom observador que me prezo ser, assisti, com complacência e algum divertimento, a transformações ideológicas pessoais em que alguns protagonistas da extrema-esquerda se adaptaram às conveniências do tempo político, ao discurso vigente e aos comportamentos de acordo com as pessoas e as instituições que, em cada momento, lideravam os novos tempos políticos. E, recordo que, alguns deles, até tinham tido comportamentos e expressado opiniões de grande agressividade como foram as que envolveram os lamentáveis saneamentos políticos de professores como Abano Estrela, Mário Moniz Pereira e Nelson Correia Mendes que lecionavam no INEF.

Texto completo in: A Bola - on line, 2017-10-12)

Desporto & Gestão

O Sentido da Gestão do Desporto

Gustavo Pires

O conceito de sentido, para além dos tradicionais cinco sentidos (visão, tato, audição, olfato e paladar) pode ter vários significados. No quadro do presente ensaio vamos utilizar o conceito tendo em atenção: (1º) uma perspetiva epistemológica que enquadra a perceção de uma determinada realidade que, em termos singulares, cada um assume relativamente à gestão do desporto; (2º) um cenário prospetivo relativamente ao futuro da própria gestão o desporto. Se existe atividade humana à qual a gestão sempre esteve ligada, essa atividade é o desporto.

Porque é que o Desporto Precisa da Pedagogia?

António Rosado (*)

A educação é sempre orientada por um ideal de Hu-manidade, por uma axiologia, por um sistema de valores e de crenças, daí resul-tando uma determinada concepção de Homem e uma particular intenção de (trans)formação do Homem. Essa transformação é sempre um projecto enraizado na Utopia, sempre aberto e livre, sempre criador de humanidade.

Na realidade, o Homem é sempre um homem de desejo, mais percurso do que meta; o que o move é o mal-estar provocado por uma realidade que deseja que mude, pela angústia da sua condição humana, talvez pela presença esperada do divino. (ler)

Processo de Candidatura a um Evento Desportivo

Normas e Procedimentos Fundamentais

Eduardo Monteiro

A organização de um grande evento desportivo quer se trate de âmbito internacional ou nacional, é sempre antecedido de um processo de candidatura sobre o qual existem regras bem definidas que não sendo iguais para todos os desportos são, no entanto, muito semelhantes na grande maioria dos aspectos. Existem manuais de candidatura elaborados pelos organismos internacionais. Quando se trata dos Jogos Olímpicos o manual é elaborado pelo Comité Olímpico Internacional, se são Campeonatos do Mundo cabe essa função às Federações Internacionais das diferentes modalidades, se forem os Festivais Olímpicos da Juventude Europeia a responsabilidade é dos Comités Olímpicos Europeus e dos Campeonatos Europeus são as respectivas Federações a elaborar o documento.

A Origem do Comité Olímpico de Portugal

XIX Sessão Anual - Almeirim

João Marreiros

​A 4 de Junho de 1992 Assembleia Plenária Extraordinária aprovou os novos Estatutos do COP que, para além de terem alterado o nome do Comité Olímpico Português para Comité Olímpico de Portugal, por via burocrática, contra a história, institucionalizaram uma nova data para a fundação da instituição. O Doutor João Marreiros em 2006 fez um levantamento circunstanciado dos acontecimentos que apresentou na sessão anual da Academia Olímpica. Para memória futura, aqui fica o trabalho por ele apresentado.    

(ver)

1912. Fundação do Comité Olímpico Português

Novo livro de Gustavo Pires (**)

Manuela Hasse (*)

Foi lançado, a 10 de Maio do corrente, no Salão Nobre da Faculdade de Motricidade Humana, um novo trabalho de G. Pires. Um estudo rigorosamente documentado, baseado em fontes impressas, uma pesquisa minuciosa que se lê de um folgo tal o interesse que desperta e uma escrita que conduz o leitor – não por um penoso trabalho académico, como muitos são – mas por uma investigação que se acompanha como se de um livro policial se tratasse. A trama gira à volta de duas questões: a primeira, desde os finais de 1800, quando o mundo europeu começava a mudar para aquilo que conduziria ao que conhecemos hoje, será possível encontrar alguma relação, entre os adeptos da ginástica sueca, higiénica e da educação física, com o fenómeno desporto? Segunda questão, qual foi, de acordo com os documentos reunidos, a verdadeira data da criação do Comité Olímpico Português?
Em síntese, teria existido alguma relação entre os adeptos da ginástica sueca, higiénica e da educação física e os adeptos do fenómeno desporto – em particular no que respeita a criação do Comité Olímpico Português?

Fundação do Comité Olímpico Português

pintocorreia.jpgO Revisionismo Histórico do COP: Derepentemente 106 anos são 104!

José Pinto Correia

O Comité Olímpico de Portugal anda há muitos anos a considerar uma data errónea para a sua fundação. Nunca o quis admitir ao longo do imenso consulado de Vicente Moura e do mais recente, mas já com mais de três anos, de José Manuel Constantino. Durante cada um dos sucessivos anos o Comité sempre foi fazendo comemorações daquele pretenso aniversário. E no final de 2015, em mais um destes faustos cerimoniais, acabou a convidar imensa gente para a celebração do seu ilusório 106º aniversário. Houve muitos conhecedores do desporto que avisaram sem efeito os dirigentes do COP para a falsidade histórica em que estavam sistematicamente a incorrer. Sempre sem qualquer sucesso. Eis senão quando agora há uns dias o sítio digital do Comité vem noticiar que afinal se comemora a 30 de Abril o 104º aniversário da sua fundação.

Comité Olímpico de Portugal (1912-2016)

104º Aniversário do Comité Olímpico de Portugal

Hoje, comemora-se o verdadeiro aniversário do Comité Olímpico de Portugal embora o aniversário oficial, à revelia da história, seja comemorado noutra data. Na realidade o Comité Olímpico de Portugal, hoje, comemora o seu 104º aniversário.
A 30 de abril de 1912 foi fundado o Comité Olímpico Português a fim de se poder organizar uma Missão Olímpica a estar presente nos Jogos Olímpicos de Estocolmo (1912). A Missão Olímpica acabou por ter a seguinte composição:

1. António Stromp, estudante de medicina - Atletismo; 
2. Armando Cortesão, finalista do Instituto Superior de Agronomia - Atletismo; 
3. Fernando Correia, funcionário superior do Montepio Geral - Esgrima;
4. Francisco Lázaro, operário de carpintaria - Atletismo;
5. Joaquim Vital, empregado do comércio - Luta.

De acordo com a imprensa da época, por exemplo, “Os Sports Ilustrados” ou o “Tiro e Sport” a primeira Direção do COP ficou constituída da seguinte maneira:

• Presidente de honra: Conde de Penha Garcia;
• Presidente: Jaime Mauperrin Santos;
• Vice-presidentes: António Lancastre; Charles Bleck; Manuel Egreja;
• Secretário-geral: José Pontes;
• Secretários: Annibal Pinheiro; Armando Machado; Duarte Rodrigues;
• Membros: Alvaro Lacerda; Antonio Osorio; Daniel Queiroz dos Santos; Fernando Correia; Guilherme Pinto Bastos; José Manuel da Cunha Menezes; Pedro Del Negro; Pinto de Miranda; Sá e Oliveira.

Os Papas e o Desporto

Anselmo Borges (*)

Durante os Jogos Olímpicos, foi para mim uma surpresa simpática saber que o Papa Pio X tinha sido promotor dos Jogos Olímpicos, em 1908. De facto, não podendo realizar-se em Roma por causa de uma grave crise económica - acabaram por ser celebrados em Londres -, Pierre de Coubertin, instigador dos Jogos modernos, pediu ajuda à Santa Sé, e foi o próprio Pio X que o apoiou.

Quem o afirma é Antonella Stelitano no livro Pio X e o Desporto, fazendo notar que nos começos do século XX menos de um por cento da população praticava desporto. Ora, Pio X via no desporto uma forma de educar os jovens. "São Pio X viu a possibilidade de o desporto ser educativo. Uma forma de aproximar os jovens, para que, estando juntos, seguissem regras e respeitassem o adversário. Creio que entendeu que era possível fazer com que as pessoas estivessem juntas de uma forma simples, unidas sem problemas de raça, religião ou ideias políticas diferentes."

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